Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

"A Saúde é Essencial à Felicidade"


Para saber o quanto a nossa felicidade depende da jovialidade do ânimo e este do estado de saúde, é preciso comparar a impressão que as mesmas situações ou eventos exteriores provocam em nós nos dias de saúde e vigor com aquela produzida por eles quando a doença nos deixa aborrecidos e angustiados. O que nos torna felizes ou infelizes não é o que as coisas são objectiva e realmente, mas o que são para nós, na nossa concepção. É o que anuncia Epicteto: O que comove os homens não são as coisas, mas a opinião sobre elas. Em geral, 9/10 da nossa felicidade repousam exclusivamente sobre a saúde. Com esta, tudo se torna fonte de deleite. Pelo contrário, sem ela, nenhum bem exterior é fruível, seja ele qual for, e mesmo os bens subjectivos restantes, os atributos do espírito, do coração, do temperamento, tornam-se indisponíveis e atrofiados pela doença. Sendo assim, não é sem fundamento o facto de as pessoas se perguntarem umas às outras, antes de qualquer coisa, pelo estado de saúde e desejarem mutuamente o bem-estar. Pois realmente a saúde é, de longe, o elemento principal para a felicidade humana. Por conta disso, resulta que a maior de todas as tolices é sacrificá-la, seja pelo que for: ganho, promoção, erudição, fama, sem falar da volúpia e dos gozos fugazes. Na verdade, deve-se pospor tudo à saúde.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'



Terça-feira, Janeiro 29, 2008

Das Duas Premissas...

«(...) O fenómeno da corrupção é um dos cancros que mais ameaça a saúde do Estado de Direito em Portugal. Há aí uma criminalidade em Portugal muito importante, da mais nociva criminalidade para o Estado, para a sociedade, e que andam aí impunemente e alguns deles andam aí a exibir os benefícios e os lucros dessa criminalidade. Alguns, inclusive, ocupam cargos relevantes no Estado português.»

António Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados



«(...) Na verdade, querem a escola apenas para alguns – e não para todos, como defendemos.
E vêm agora, com golpes de teatro, propor grandes rupturas, justamente aqueles que nada fizeram enquanto tiveram oportunidade.
E isto, porque no fundo, não acreditam que com mais trabalho, mais estudo e mais exigência é possível melhorar os resultados escolares, é possível melhorar o funcionamento e a organização das escolas, é possível promover a igualdade de oportunidades para todos.
Mas felizmente as escolas e os professores acreditam, o Governo e o País também.
Os resultados aí estão a comprovar que temos razão.»

Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra de Educação



«Tenho a certeza que dentro de dois, três meses, ou menos até, as populações compreenderão que fizemos o que tínhamos que fazer para o bem das próprias populações»

Correia de Campos, Ministro da Saúde





Segunda-feira, Janeiro 28, 2008

De Garras Afiadas!



As garras Leoninas arrasaram o dragão...

É caso para dizer:

«Esforço, Dedicação, Devoção e... Glória!»


Sábado, Janeiro 26, 2008

"Que é que eu amo em ti? Não é o teu corpo, não é o teu espírito, mas a..."

Enquanto uma grande entusiasta de Vergílio Ferreira, quer na sua expressão escrita de cariz existencialista quer da sua narrativa noutras dimensões, decidi partilhar um excerto de um maravilhoso e delicioso escrito, que deixarei à descoberta do leitor a obra de onde o retirei...
Uma sugestão para ler ou reler neste fim-de-semana de Sol resplandecente.

Bom fim-de-semana

AMMedeiros





"Leve como pena, a luz apagada, a incrível doçura do teu corpo. Frágil minúsculo na ponta dos dedos da minha mão. Apanhar-te toda, amachucada toda na palma da minha mão. Friso subtil dos meus nervos, ah, o veludo do teu calor. Carne virgem, a seda da tua pele, os teus seios ocultos como flores de estufa. Tanto como te sonhei e imaginei no meu querer de crise e estava agora ali total, tinha medo de te tocar, destruir. Tão melindrosa evanescente. Então devagar. Queria ter-te toda e parecia-me que alguma coisa de ti me fugia e não entrava no domínio da minha posse, da minha absorção. As minhas mãos pelo teu corpo franzino, na face, nos seios, nas pernas de criança. Estavas em silêncio, respiravas alterada no meu ombro, ave trémula. Uma serrilha fina, subtil ácido na fímbria dos meus nervos, não tinhas uma palavra, respiravas fechada em ti. Fechada, secreta, ajustada cerradamente, pequenina dócil - desvendar-te. Tenho dores em todo o corpo, nas articulações. Tremo todo eu no mistério do teu corpo guardado desde a eternidade para mim. Tremo eu todo na impossível inverosímil presença da totalidade cálida de ti. Febre que grita em cada átomo de mim, grito na profundidade das vísceras ao excesso do meu delírio, tu quieta à minha profanação. Corpo suave na mistura intensa da nossa mútua fecundidade plasma ígneo de nós e tu subtil sem a força que aguente a minha abundância poderosa. Leve apenas, ave ferida, submisso fino um queixume, toda a tua pessoa furtiva, todo o fugitivo de ti, toda a tua pessoa arisca e graciosa fechada agora em mim, no meu excesso a transbordar. E aí te perdes longamente, aí te perco, até que o mundo renasceu e tu ao centro e ao pé de mim. Rapidamente então ergueste-te, eu ouvia-te ali ao pé na purificação de ti, renascida, purificada e imediatamente adormeceste. E ergui-me eu também, vim encontrar-te na distância aérea dos anjos e das crianças. Só eu não dormia, pregado na noite como uma estrela. E de mim a ti uma benção que eu não tinha mas sentia num impulso a um sorriso, a uma pacificação que se expandia de mim e ia até aos limites da vida e te inundava de uma imponderável ternura. Assim estive longo tempo, mas eu precisava tanto de te tocar. Recuperar a tua realidade inacreditável, a tua presença no centro do universo. A mão suave na fronte, o lume de um meu dedo na fímbria do teu corpo. A respiração subtil da minha boca na tua face. O halo fugidio da minha presença na tua - e tu rodaste sobre ti, um apagado ciciar da tua boca. Pregado na noite como numa vigília, irradiada de uma luz viva e trémula - dorme. Que é que eu amo em ti? Não é o teu corpo, não é o teu espírito, mas a transfiguração de um pelo outro, a transcendência da tua carne frágil, a abordagem de quem tu és no mais profundo de ti; na posse compacta de toda tu, no espasmo de um punho cerrado - dorme. Não posso dormir, não quero. Como perder esta hora máxima de ser, de tocar toda a realidade secreta, drasticamente separada, segregada da minha ânsia em agonia? Porque tu eras para mim o puro irreal e imaginário, o subtil incorpóreo, a pura iluminação sem consistência, a aparência do não-ser, a terrível beleza intocável, a graça aérea imaterial. E agora estavas ao pé de mim, e eu estendo a mão devagar para condensar em realidade a tua imaterialização. Como dormir e perder-te e acordar depois - tu não estavas aqui e ser tudo fantástico de impossível?..."


Vergílio Ferreira



Sexta-feira, Janeiro 25, 2008

Almoço à beira-(a)mar



Mar revolto... intenso... porém equilibrado na sua vontade... ao meu sabor, segredava-lhe cúmplice da sua infinitude. Sol de calidez de afagos sem tocar a pele... num deleite de alma e serenidade.
Almoço de sabores a (a)mar e conversas soltas de assuntos mais ou menos sérios, salpicados de profundidade no sentir, entre curtas pausas de silêncios de olhares no horizonte e no (a)mar, quebradas por palavras soltas e leves na profundidade dos seus significados. Da dimensão do mar (ou será do (a)mar?)... o carinho e a compreensão.
Sem o atropelo das pressas, as interrupções contínuas da estridente comunicação tecnológica, da pressão dos tempos de vida nas imposições e contingências do viver dos dias mais ou menos iguais. Onde a todo o momento se esperam os inesperados e os imponderáveis que podem doer, e que não vêm na forma equilibrada com que esta " tranquila fúria de viver" das ondas do mar, da amena luminosidade deste Sol e do calor que aquece sem incomodar nos acolheu. Ter-te por companhia à beira-mar, num almoço onde escutas com a alma no olhar "o vendaval que se soltou e a onda que se a alevantou" na minha vida, ouvir-te a compreensão, sentir-nos bem, foi paz...

AMMedeiros



Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

"Palavras Ditas"



O Guardador de Rebanhos I

Alberto Caeiro,
por Mário Viegas









Terça-feira, Janeiro 22, 2008

A Dúvida...



... de partida ou de chegada?...





Segunda-feira, Janeiro 21, 2008

Sentir



Sentir.
Sentir o vento.
Sentir a terra.
Sentir a chuva.
Sentir a vida a pulsar nas coisas simples...
Sentir-te...


AMMedeiros



Domingo, Janeiro 20, 2008

Condenados a ser Livres?

A nossa vida, como repertório de possibilidades, é magnífica, exuberante, superior a todas as historicamente conhecidas. Mas assim como o seu formato é maior, transbordou todos os caminhos, princípios, normas e ideais legados pela tradição. É mais vida que todas as vidas, e por isso mesmo mais problemática. Não pode orientar-se no pretérito. Tem de inventar o seu próprio destino. Mas agora é preciso completar o diagnóstico. A vida, que é, antes de tudo, o que podemos ser, vida possível, é também, e por isso mesmo, decidir entre as possibilidades o que em efeito vamos ser. Circunstâncias e decisão são os dois elementos radicais de que se compõe a vida. A circunstância – as possibilidades – é o que da nossa vida nos é dado e imposto. Isso constitui o que chamamos o mundo. A vida não elege o seu mundo, mas viver é encontrar-se, imediatamente, em um mundo determinado e insubstituível: neste de agora. O nosso mundo é a dimensão de fatalidade que integra a nossa vida. Mas esta fatalidade vital não se parece à mecânica. Não somos arremessados para a existência como a bala de um fuzil, cuja trajectória está absolutamente pré-determinada. A fatalidade em que caímos ao cair neste mundo – o mundo é sempre este, este de agora – consiste em todo o contrário. Em vez de impor-nos uma trajetória, impõe-nos várias e, consequentemente, força-nos... a eleger. Surpreendente condição a da nossa vida! Viver é sentir-se fatalmente forçado a exercitar a liberdade, a decidir o que vamos ser neste mundo. Nem num só instante se deixa descansar a nossa actividade de decisão. Inclusive quando desesperados nos abandonamos ao que queira vir, decidimos não decidir. É, pois, falso dizer que na vida «decidem as circunstâncias». Pelo contrário: as circunstâncias são o dilema, sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.

Ortega y Gasset, in 'A Rebelião das Massas'




Sobre a reflexão anterior apenas me ocorre acrescentar o exemplo vivo que caminha lado a lado, comigo pela vida, a quem fiz nascer e, que ante as circunstâncias adversas que lhe foram impostas pela doença, todos os dias escolhe a vida. Na mais profunda agonia da dor, pedia para a não ter, e se pudesse não a tinha, todavia, é da luta que, ainda que cansado, não desiste. Diante dos caminhos que escolheu percorrer, agora mais difícil a caminhada, prossegue-a bravamente. Poderia, compreensivelmente, confrontado com as circunstâncias desistir de escolher, de se determinar, e ainda assim, estaria a decidir não-escolher pela sua passividade, mas não foi assim em momento algum. Continua a ser um jovem espírito que filosofa nas aulas de filosofia sobre tudo o que a vida lhe traz em riqueza de escolhas, leva o seu sangue até à ciência e fala dela como fala do seu Linfoma, num tom de naturalidade e proximidade que desconcerta e se admira em simultâneo, lança os olhos à matemática com o respeito e a humildade de um grande senhor que sabe que deve querer saber, lê e discute Gil Vicente e Eça de Queirós com um interesse contagiante... e quem o conhece encanta-se com ele pela vida.

Sou uma privilegiada.

Que vida de completude decidimos por nós na incompletude da vida?...

AMMedeiros






Sábado, Janeiro 19, 2008

Chamamento


Sonhei Contigo

Sonhei contigo embora nenhum sonho
possa ter habitantes tu, a quem chamo
amor, cada ano pudesse trazer
um pouco mais de convicção a
esta palavra. É verdade o sonho
poderá ter feito com que, nesta
rarefacção de ambos, a tua presença se
impusesse - como se cada gesto
do poema te restituísse um corpo
que sinto ao dizer o teu nome,
confundindo os teus
lábios com o rebordo desta chávena
de café já frio. Então, bebo-o
de um trago o mesmo se pode fazer
ao amor, quando entre mim e ti
se instalou todo este espaço -
terra, água, nuvens, rios e
o lago obscuro do tempo
que o inverno rouba à transparência
da fontes. É isto, porém, que
faz com que a solidão não seja mais
do que um lugar comum saber
que existes, aí, e estar contigo
mesmo que só o silêncio me
responda quando, uma vez mais
te chamo.

Nuno Júdice


Chamamento.
Depois da incerteza, da angústia e da dor... Depois da súplica na voz, no pedido "tira-me daqui"... Da revolta contida... Voltou a ansiada libertação esculpida no semblante pela força do ar frio de Janeiro. Restituída a Alegria de um Ser em tudo digno, dia 09 de Janeiro já não foi no quarto onde os rostos surgem de máscara deixando maior expressão ao silêncio do olhar... Aniversário onde o espaço tem uma representação que só as cores da tela "Enrosca-te em Mim", o abraço da autora, e os afagos de visitas que transportam a Arte da Amizade nas mãos e no coração, podem aproximar-se do Amor em liberdade num Jovem Herói...
O presente em festa inesperada envolto pelo laço dos Amigos que o esperavam para comemorar mais um ano de vida!... Foi assim!... é felicidade.
Veio insidiosamente o meu cansaço e desgaste que a emoção da felicidade soube ocultar em quase extinta energia. "Reerguida" ao ver o regresso do Herói à escola, à sua quase totalidade de vida e crescimento habitual, é admiração e Amor que sinto quando o observo em cada entrada ou saída pelos portões da escola... é o chamamento da vida.
Abre-se o espaço interior para o chamamento dos amigos aqui presentes em cada visita em silêncio, de um silêncio profundo que criou raízes. É delicioso "ouvir" este chamamento e... voltar ao encontro que aqui despertou...


"Que nunca caiam as pontes entre nós." (Abrunhosa, P., 2008)


AMMedeiros