"Só acontece aquilo que não posso enfrentar".
"Sem ódio, nem medo".
Dignidade.

Fevereiro de 2002. Carachi, Paquistão. Meses depois do 11 de Setembro, Mariane Pearl toma conhecimento que o seu marido, Daniel Pearl, foi assassinado por um grupo fundamentalista islâmico. A história passou a livro, o livro passou a filme. Um filme que comporta o melhor trabalho de Angelina Jolie e um equílibrio notável que o torna realista, não heróico, despretensioso e digno, muito digno...
O contexto: EUA ainda sob o rescaldo dos atentados ao World Trade Center. A atenção da opinião pública e dos media completamente voltada para as movimentações a oriente. Daniel Pearl era um dos muitos jornalistas designados para o tema e representava o Wall Street Journal, relatando os retratos do Paquistão.
Procurava representantes dos governos, conhecidos terroristas ou aliados da Al-Qaida, investigava sobre as alegadas relações entre as duas partes e explorava as crenças de todas. Conhecia as pessoas, comuns, independentes de outras guerras, e contava as suas histórias. No terreno, sob uma perspectiva diferente, movido por valores muito próprios. Ironicamente, seria esse o argumento para morrer decapitado às mãos dos seus algozes... Daniel era Judeu...
Um dia, saiu de casa para se encontrar com um líder de uma célula fundamentalista (um encontro que qualquer jornalista naquele terreno sonha em ter) e nunca mais voltou. De jornalista passou a instrumento para as intenções ideológicas dos raptores.
Em casa, Mariane Pearl, a mulher grávida de cinco meses, assistia ao desenrolar das investigações com uma racionalidade fora do comum. Poucas lágrimas, poucos momentos de desespero e uma frieza que parecia apenas espelhar a vontade de não se render às intenções dos homens que lhe levaram o marido. Chegou a admitir numa das entrevistas que concedeu para a televisão que era por isso que não vacilava. Não o fazia e muito menos no ar...
A história de A mighty heart é, indiscutivelmente, interessante, premente e justifica por si só a passagem a filme. Não há quem não se identifique com o medo, nem quem não se apegue a uma narrativa que atravessa o dia-a-dia da política e das sociedades ocidentais. Vê-mo-los de cá, eles vêem-nos de lá. Todos funcionamos segundo os nosso próprios padrões.
No que à narrativa diz respeito, é notória a condução por uma jornalista. São avaliados todos os lados da história, sem juízos de valor (dentro que parece aceitável, claro). Não há santos nem demónios. Há relatos. Há rigor. Verídicos retratos. É o espectador quem, em última instância, dita o que quer interpretar.
A actriz apresenta-se mais consistente do que nunca num difícil papel que, ainda por cima, se inspira numa figura viva: Mariane Pearl. É certo que a transformação física e a real gravidez da actriz ajudaram à entrada na personagem mas Angelina consegue dar-lhe a dimensão racional e o lado mais frágil com o realismo palpável que se pedia. Sem «ódio nem medo», tal como Mariane quis demonstrar.
Recomendo vivamente.
Críticas de Imprensa
A generosidade e força serena de Mariane Pearl transformam o seu livro de uma simples narrativa feita por uma viúva em algo de maior: não apenas um triunfo pessoal sobre uma enorme tragédia pessoal mas também uma lição sobre como não desistir da tentativa de entender.
The New York Review of Books
“Mariane Pearl partilhava a filosofia do marido de unir culturas através de palavras e histórias… Teve a sorte de o conhecer intimamente. Agora também nós.”
San Francisco Chronicle
“Mariane Pearl é uma mulher que transformou o horror da sua perda num compromisso para honrar os dois princípios segundo os quais Danny Pearl viveu a sua vida – ética e verdade… O espírito de Mariane é invencível.”
O, The Oprah Magazine
Um livro sensato, humano e emocionalmente honesto … Com palavras sensatas mas não gastas, a voz invulgarmente franca de Mariane conta a história.”
The Washington Post
Excerto da obra
Prólogo
(…) Escrevo este livro para demonstrar que tinhas razão: a tarefa de mudar um mundo cheio de ódio compete a cada um de nós.
Escrevo este livro porque, ao roubarem a tua vida, os terroristas também me tentaram matar a mim e ao teu filho, Adam. Tentaram matar todos aqueles que se identificavam contigo. (…)