Quinta-feira, Agosto 30, 2007

Provocação (II)...



A ratoeira abandonou o queijo...
O queijo deixou de ter o mesmo sabor porque os ratos mudaram o seu paladar...
Os ratos preferem a fruta do poder...
A maçã continua a personificar o proibido...
O proibido é impunidade...
A impunidade vive bem numa ratoeira para ratos...

A Justiça está perra e os ratos fogem para voltar mais tarde.

As ratoeiras de hoje já não têm queijo e será que são feitas para apanhar ratos...?




AMMedeiros



Quarta-feira, Agosto 29, 2007

Provocação (I)...

Mika - "Grace Kelly"



Do I attract you?
Do I repulse you with my queasy smile?
Am I too dirty?
Am I too flirty?
Do I like what you like?

I could be wholesome
I could be loathsome
I guess Im a little bit shy
Why dont you like me?
Why dont you like me without making me try?

I try to be like Grace Kelly
But all her looks were too sad
So I try a little Freddie
Ive gone identity mad!

I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why dont you like me?
Why dont you like me?
Why dont you walk out the door!

How can I help it
How can I help it
How can I help what you think?
Hello my baby
Hello my baby
Putting my life on the brink
Why dont yo like me

Why dont you like me
Why dont you like yourself?
Should I bend over?
Should I look older just to be put on the shelf?

I try to be like Grace Kelly
But all her looks were too sad
So I try a little Freddie
Ive gone identity mad!

(...)

Say what you want to satisfy yourself
But you only want what everybody else says you should want




Na competição em termos de prestígio apenas parece sensato tentarmos aperfeiçoar a nossa imagem em vez de nós próprios. Isso parece ser a forma mais económica e directa para produzirmos o resultado desejado. Acostumados a viver num mundo de pseudo-eventos, celebridades, formas dissolventes, e em imagens-sombra, nós confundimos as nossas sombras com nós próprios. A nós elas parecem mais reais que a realidade. Porque é que elas não deveriam parecer assim aos outros?


Daniel J. Boorstin, in 'The Image. A Guide to Pseudo-Events in America'






Domingo, Agosto 26, 2007

Eduardo Prado-Coelho (1944-2007) - Infinito


Eduardo Prado Coelho herdou do pai – Jacinto do Prado Coelho –, notável académico, o gosto pela cultura e o amor à liberdade.

Professor, ensaísta e escritor, Eduardo Prado Coelho sucumbiu aos 63 anos, vítima de um cancro.



"Os textos deste volume (...) pertencem à área do que se pode designar como 'teoria' - nem propriamente filosofia, nem estética, nem política, mas uma certa tentativa de compreensão do mundo contemporâneo através do trabalho dos filósofos, dos poetas, dos artistas, dos críticos, dos ensaístas. Todos eles criam situações de infinito, tal como tenho vindo a vivê-las e a caracterizá-las"

Eduardo Prado Coelho

(2004), Situações de Infinito, Porto, Campo das Letras, p. 7




Filho do professor catedrático Jacinto Prado Coelho, Eduardo nasceu em Lisboa a 29 de Março de 1944. Licenciou-se em Filologia Românica e doutorou-se, em 1983, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a mesma instituição em que obteve a licenciatura e em que leccionara entre 1970 e 1983. No ano seguinte, passou a dar aulas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Em 1988, Eduardo Prado Coelho leccionou no Departamento de Estudos Ibéricos da Sorbonne, em Paris, e manteve-se na cidade durante a década seguinte, para desempenhar as funções de conselheiro cultural da embaixada portuguesa em França. Em Portugal esteve também ligado a uma série de instituições, entre as quais o Centro Cultural de Belém.

Da sua vasta obra, destacam-se os títulos "O reino flutuante", "A palavra sobre a palavra", "A letra litoral" , "Os universos da crítica" , "Vinte anos de cinema português - 1962-1982", "Mecânica dos fluídos" e "Tudo o que não escrevi ", diário em dois volumes que lhe valeu o Grande Prémio de Literatura Autobiográfica da Associação Portuguesa de Escritores. Em 1997 publicou "O cálculo das sombras" (ensaios) e, recentemente, "Diálogos sobre a fé", escrito em parceria com o cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo.




Chuva Oblíqua


CHUVA OBLÍQUA
(8-3-1914)


I

ATRAVESSA esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente das velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...

O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...

Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...

Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
e vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder naquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...

II

Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...

Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...

O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no facto de haver coro...

A missa é um automóvel que passa
Através dos fiéis que se ajoelham no hoje ser um dia triste...
Súbito vento sacode num esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de automóvel...

E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa...

III

A Grande Esfinge do Egipto sonha pôr este papel dentro...
Escrevo - e ela aparece-me através da minha mão transparente
E ao canto do papel erguem-se as pirâmides...

Escrevo - perturbo-me de ver o bico da minha pena
Ser o perfil do rei Quéops...
De repente paro...
Escureceu tudo... Caio por um abismo feito de tempo...
Estou soterrado sob as pirâmides a escrever versos à luz clara deste candeeiro
E todo o Egipto me esmaga de alto através dos traços que faço com a pena...

Ouço a Esfinge rir por dentro
O som da minha pena a correr no papel...
Atravessa o eu não poder vê-la uma mão enorme,
Varre tudo para o canto do tecto que fica por detrás de mim,
E sobre o papel onde escrevo, entre ele e a pena que escreve
Jaz o cadáver do rei Queóps, olhando-me com olhos muito abertos,
E entre os nossos olhares que se cruzam corre o Nilo
E uma alegria de barcos embandeirados erra
Numa diagonal difusa
Entre mim e o que eu penso...

Funerais do rei Queóps em ouro velho e Mim!...

IV

Que pandeiretas o silêncio deste quarto!...
As paredes estão na Andaluzia...
Há danças sensuais no brilho fixo da luz...

De repente todo o espaço pára...,
Pára, escorrega, desembrulha-se...,
E num canto do tecto, muito mais longe do que ele está,
Abrem mãos brancas janelas secretas
E há ramos de violetas caindo
De haver uma noite de Primavera lá fora
Sobre o eu estar de olhos fechados...

V

Lá fora vai um redemoinho de sol os cavalos do carrossel...
Árvores, pedras, montes, bailam parados dentro de mim...
Noite absoluta na feira iluminada, luar no dia de sol lá fora,
E as luzes todas da feira fazem ruídos dos muros do quintal...
Ranchos de raparigas de bilha à cabeça
Que passam lá fora, cheias de estar sob o sol,
Cruzam-se com grandes grupos peganhentos de gente que anda na feira,
Gente toda misturada com as luzes das barracas, com a noite e com o luar,

E os dois grupos encontram-se e penetram-se
Até formarem só um que é os dois...
A feira e as luzes das feiras e a gente que anda na feira,
E a noite que pega na feira e a levanta no ar,
Andam por cima das copas das árvores cheias de sol,
Andam visivelmente por baixo dos penedos que luzem ao sol,
Aparecem do outro lado das bilhas que as raparigas levam à cabeça,
E toda esta paisagem de primavera é a lua sobre a feira,
E toda a feira com ruídos e luzes é o chão deste dia de sol...

De repente alguém sacode esta hora dupla como numa peneira
E, misturado, o pó das duas realidades cai
Sobre as minhas mãos cheias de desenhos de portos
Com grandes naus que se vão e não pensam em voltar...
Pó de oiro branco e negro sobre os meus dedos...
As minhas mãos são os passos daquela rapariga que abandona a feira,
Sozinha e contente como o dia de hoje..

VI

O maestro sacode a batuta,
E lânguida e triste a música rompe...

Lembra-me a minha infância, aquele dia
Em que eu brincava ao pé de um muro de quintal
Atirando-lhe com uma bola que tinha dum lado
O deslizar dum cão verde, e do outro lado
Um cavalo azul a correr com um jockey amarelo...

Prossegue a música, e eis na minha infância
De repente entre mim e o maestro, muro branco,
Vai e vem a bola, ora um cão verde,
Ora um cavalo azul com um jockey amarelo...

Todo o teatro é o meu quintal, a minha infância
Está em todos os lugares, e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão tornando-se jockey amarelo...
(Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos...)

Atiro-a de encontro à minha infância e ela
Atravessa o teatro todo que está aos meus pés
A brincar com um jockey amarelo e um cão verde
E um cavalo azul que aparece por cima do muro
Do meu quintal... E a música atira com bolas
À minha infância... E o muro do quintal é feito de gestos
De batuta e rotações confusas de cães verdes
E cavalos azuis e jockeys amarelos...

Todo o teatro é um muro branco de música
Por onde um cão verde corre atrás da minha saudade
Da minha infância, cavalo azul com um jockey amarelo...

E dum lado para o outro, da direita para a esquerda,
Donde há arvores e entre os ramos ao pé da copa
Com orquestras a tocar música,
Para onde há filas de bolas na loja onde comprei
E o homem da loja sorri entre as memórias da minha infância...

E a música cessa como um muro que desaba,
A bola rola pelo despenhadeiro dos meus sonhos interrompidos,
E do alto dum cavalo azul, o maestro, jockey amarelo tornando-se preto,
Agradece, pousando a batuta em cima da fuga dum muro,
E curva-se, sorrindo, com uma bola branca em cima da cabeça,
Bola branca que lhe desaparece pelas costas abaixo...

Fernando Pessoa



Sexta-feira, Agosto 24, 2007

Pensamentos em alta voz...


O contacto com a mediocridade gera mais mediocridade. Os medíocres têm medo da literatura, dos clássicos e da leitura. Têm medo do esforço, do trabalho - e da história. Acham que a escola serve para apaparicar a banalidade que os miúdos levam da rua e da televisão. Eles são um perigo que anda à solta, espalhando mais mediocridade, impunemente.

Francisco Viegas



Estranhos não são as pessoas que não se conhecem: estranhos são aqueles que, estando ao pé de nós, parecem nunca perceber o que se passa connosco.


Começamos a morrer quando só somos capazes de nos copiar. «Escolhe-se morrer?». Às vezes, escolhe-se não viver, que é uma forma de estar vivo e estar morto ao mesmo tempo.


Eduardo Sá


Mar Adentro




Pisava a areia num irresistível e suave balanço que a música provocava, olhar no infinito azul, profundo o pensamento de quem observa no horizonte a mesma infinitude de perspectivas, liberdade é feminina.
Os pés nus sentem os cambiantes das texturas de uma areia que se molha pelos compassos do mar, e os extremos da temperatura do Atlântico caprichoso, as mãos... as mãos entram na água e acariciam a natureza do mar, como que para tranquilizar a sua ira. Mas essa fúria é que a faz brincar entre a espuma e as rochas, na atrapalhação das algas, com a respiração sôfrega de maresia, brinca e desafia. E não resiste... Corpo molhado, cabelo a pingar gotículas de fascínio, o sorriso traquina e a atracção, olha o mar perigosamente e corre, corre para nele mergulhar. A cada ondulação deixa-se enroscar sem resistência, e depois brinca até a cumplicidade trazer a serenidade. Pede-lhe uma pausa de carícias à superfície da pele, ele só conhece o sal, mas deixa-a permanecer à sua superfície de olhos fechados e corpo repousado num relaxamento aquiescente.
O mar, sussurra-lhe nesse vai-vem lânguido e tímido que se aproxima do seu ouvido, que desconhece a doçura... Mas ela sabe que há nele mais descobertas que as que a História conta aos homens, ela sabe que o sabor a sal é do mar uma doce forma de (a)mar...



Quinta-feira, Agosto 23, 2007

For You



Escapam-se as palavras...
Voam livres as rimas latentes...
Guarda-se o poema.

Clama o gesto numa Tulipa Parrot.

De cá pra lá... até aí.

Um beijo

AMMedeiros




Quarta-feira, Agosto 22, 2007

Eternal Audrey Hepburn



“A quality education has the power to transform societies in a single generation, provide children with the protection they need from the hazards of poverty, labor exploitation and disease, and given them the knowledge, skills, and confidence to reach their full potential.”


Audrey Hepburn



Terça-feira, Agosto 21, 2007

Coloquialmente...


Coloquialmente...

- Tudo mudou. - Disse ela num sussurro.
- Relativizas. - Murmurou ele, a medo.
- Não sei onde coloquei o futuro, estava tão arrumadinho, e no entanto agora perdi-o, não me consigo lembrar em que gaveta está... - Confessou ela. - O passado continua a ser consultado, mas esse eu sei que está na gaveta de baixo, abro-a de vez em quando, está bem arrumada.
- E do presente, sabes? - Interroga-a.
- O presente?... O presente é um presente dos dias, relativo ao presente mais presente. Está em todas as gavetas, está aqui comigo e contigo. - Toca-lhe na mão.
- Que estranha relação essa que tens com o tempo...


Segunda-feira, Agosto 20, 2007

Olhar-te...



Olhar-te...


(...)

Que solavancos atiçam o sentimento...
O intenso de encontrar...
De ter na volta a alma a arfar...
E na ida o sobressalto de voltar...
Seda na pele a tocar.
Beijo nos dedos aos lábios saciar.


AMMedeiros



Domingo, Agosto 19, 2007

As Voltas Dadas... à Distância.


No sentido poético, a distância dá voltas em amálgamas de descobertas num compromisso de enleio maior, no investimento pelo(a) expectante criadas, onde cada um deveria entender-se responsável... E nas voltas da distância voam por entre os dedos os números (19 por exemplo) e brotam as imagens das palavras dos afectos, que o sarcasmo, a ironia, o verso, são de emoções construídos. A distância volta atrás na forma de livro e chega mais veloz encurtando a distância, quer a distância ser lida de muitas leituras...
Surgiu primeiramente vestida de conto, diz quem lhe inspirou as voltas, deu voltas e surgiu num segundo momento de uma veste que se veste e se despe ao sabor da intervenção de quem se aproxima, e eis que quis voltar mais solta e colocou-se assim na terceira veste gentilmente nas minhas mãos... Estou a lê-la... Se gostaria de conhecer as outras roupagens? Sim, a essência. Todavia, dou voltas ao texto para a acompanhar nesse percurso dicotómico de dar voltas que não voltam nunca da mesma maneira e que nunca pretendem chegar ao fim, assim a distância se torna essa amálgama que o autor conseguiu no ímpeto da entrega materializar ao alcance do meu olhar numa obra que me aproxima no sentido poético da amizade. Parecerá complexa (a distância, a volta dada ao texto) na sua simplicidade, é e o contrário também, é mais, é profunda.
Significados da distância nas voltas que se dão na dissolução formal e do modo...
Desconstrói-se e integra-se.
A la recherche... o Proust... Os afectos.

Relampejo nas voltas do texto da distância.

Obrigada.

AMMedeiros



Sábado, Agosto 18, 2007

Learning To Fly



A situação que se segue aconteceu num voo da British Airways entre Johannesburgo (África do Sul) e Londres.


Uma mulher branca, com aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar em classe económica e viu que estava ao lado de um passageiro negro.
Visivelmente perturbada, chamou a Assistente de Bordo.
- Algum problema, minha senhora? – perguntou a Assistente.
- Não vê? – respondeu a senhora – Vocês colocaram-me ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Tem de me arranjar outro lugar.
- Por favor, acalme-se!
– disse a hospedeira – Infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou confirmar e ver se ainda temos algum disponível.
A Assistente afasta-se e volta alguns minutos depois.
- Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre em classe económica. Falei com o Sr. Comandante e ele confirmou essa situação. Temos apenas um lugar em primeira classe.
E antes que a mulher fizesse algum comentário, a Assistente continua:
- Veja, não é comum que a nossa companhia permita que um passageiro da classe económica se sente na primeira classe. Porém, atendendo às circunstâncias, o Sr. Comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável.
E, dirigindo-se ao senhor negro, a Assistente prosseguiu:
- Portanto, senhor, caso queira, por favor pegue na sua bagagem de mão, pois reservamos para si um lugar em primeira classe...
TODOS os passageiros que, estupefactos assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé.



Sem dúvida, na vida é importante aprender a voar...



Sísifo




SÍSIFO


Recomeça....

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...


Miguel Torga




Sexta-feira, Agosto 17, 2007

Desafio...





São precisos dois para dançar o Tango...



Quinta-feira, Agosto 16, 2007

Don't Forget About...



Sem muitas palavras...
Sem hipóteses académicas ou de investigação, sem especulações, sem suspeitas, sem acusações, ainda sem todas as respostas,
diria simplesmente que temo ser premente NÃO ESQUECER e que temo venha a ser impossível esquecer...






Quarta-feira, Agosto 15, 2007

Encantamento


Encantamento é...

tudo o que se sentiu, no profundo silêncio se disse e ouviu, o que os olhos denunciaram e a boca calou no rosto do amor; o que as mãos revelaram nos gestos delicados da ternura que desenhou no ar encantado; o que o corpo descreveu e narrou em cada movimento no seu diálogo contínuo com outro olhar; o que a pele observada segredou na sua textura ainda por tocar; o que ficou do perfume na memória do perfume do encontro;

Encantamento é...
o beijo sentido antes do beijo acontecer e o sabor do sentir do beijo que aconteceu.

AMMedeiros




Sábado, Agosto 11, 2007

Da Criatividade...



Talvez se possa dizer que a criatividade seja o que resiste em nós do prazer de brincar da nossa infância perdida. A isso juntam-se habilidades específicas e o domínio de técnicas aprendidas.



A criatividade é uma mistura, sem receita exacta, de curiosidade, interesse, capacidade transformadora e prazer disso tudo que existe potencialmente em nós, desde sempre, à espera de ter espaço de expressão.


Isabel Leal



Sexta-feira, Agosto 10, 2007

Poema in Memorian a Cesariny


Poema

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Mário Cesariny


A Assírio & Alvim lança hoje, 9 de Agosto, Poemas de Mário Cesariny ditos por Mário Cesariny e Autografia/Verso de Autografia, no LUX Frágil, em Lisboa. O poeta completaria amanhã 84 anos.

José Manuel dos Santos apresenta Poemas de Mário Cesariny ditos por Mário Cesariny (livro + CD) onde se reproduzem 34 poemas gravados durante o Verão de 2006. Segundo o JN, os poemas foram escolhidos e lidos pelo próprio Cesariny, sentado na sua casa, na rua Basílio Teles, perto da Praça de Espanha, em Lisboa, enquanto bebia chá, para aclarar a voz da rouquidão, e fumava cigarros. O livro Autografia / Verso de Autografia (livro + DVD) é apresentado por Miguel Gonçalves Mendes.

O poeta e pintor Mário Cesariny, considerado o principal representante do surrealismo português, faleceu com 83 anos, a 26 de Novembro de 2006. Da sua obra, fazem parte títulos como Corpo Visível (1950), Manual de Prestidigitação (1956), Pena Capital (1957), Antologia Surrealista do Cadáver Esquisito (1961) e a A Cidade Queimada (1965), entre outros.

Fonte: Rascunho.net



Quinta-feira, Agosto 09, 2007

"Esta Cidade"

Palavras para quê?...
Na expressão de um incontido grito de revolta que se prolonga pelo tempo...
Quem não se recorda deste tema dos Xutos & Pontapés?...
Tão actual...
Fabulosa música de intervenção!...


"Esta Cidade"

Quer eu queira quer não queira
Esta cidade
Há-de ser uma fronteira
E a verdade
Cada vez menos
Cada vez menos
Verdadeira

Quer eu queira
Quer não queira
No meio desta liberdade
Filhos da puta
Sem razão
E sem sentido
No meio da rua
Nua, crua e bruta
Eu luto sempre do outro lado da luta

A polícia já tem o meu nome
Minha foto está no ficheiro
Porque eu não me rendo
Porque eu não me vendo
Nem por ideais
Nem por dinheiro
E como eu sou e quero ser sempre assim
Um rio que corre sem princípio nem fim
O poder podre dos homens normais
Está a tentar dar cabo de mim
Cabo de mim

João Gentil / Xutos & Pontapés




Quarta-feira, Agosto 08, 2007

Beijo-te...



Beijo

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.

Jorge de Sena



(Eros & Psique - Canova)



O Beijo…

Jean Rostand definiu-o da seguinte forma:

Um beijo é um segredo que se diz na boca e não no ouvido.


Mas que segredos se escondem no momento em que os lábios se encontram…?

Não se sabe como surgiu o primeiro beijo da humanidade… As referências mais antigas aos beijos foram esculpidas por volta de 2.500 a. C. nas paredes dos templos de Khajuraho, na Índia. Os romanos tinham 3 tipos de beijos: o basium, trocado entre conhecidos; o osculum, dado apenas aos amigos íntimos; e o suavium, que era o beijo dos amantes. Os imperadores romanos permitiam que os nobres mais influentes beijassem os seus lábios, enquanto os menos importantes tinham de beijar as suas mãos. Os súbditos podiam beijar apenas os seus pés!!!…

Além da História do Beijo e dos seus insondáveis segredos, existe também a química do Beijo, vejamos: quando duas pessoas se beijam, a hipófise, o tálamo e o hipotálamo trabalham juntos na libertação de substâncias químicas designadas neurotransmissores. Ocorre assim a “química do beijo”, caracterizada por uma certa inspiração, um tempero entre os que se irão beijar.
Quando alguém se apaixona o organismo é atacado por várias substâncias, dentre elas a feniletilamina. Uma simples troca de olhar, um aperto de mão ou beijo apaixonado podem desencadear a produção desta substância.
Há mais de 100 anos que os cientistas a estudam, não obstante, só recentemente é que Donald F. Klein e Michael Lebowitz, do Instituto Psiquiátrico de Nova Iorque estabeleceram a relação entre a feniletilamina e o amor, sugerindo que o cérebro de uma pessoa apaixonada contém grandes quantidades da mesma e que poderá ser a responsável, em grande parte, pelas sensações e modificações fisiológicas que experimentamos quando estamos apaixonados.
A dopamina também é um importante neurotransmissor que está intimamente relacionado com a emoção amorosa. A euforia, a insónia, a perda de apetite, o pensamento obsessivo de quem ama, estão directamente relacionados com os níveis de dopamina, a qual mantém, por sua vez uma relação com as endorfinas, que são morfinas naturais fabricadas pelo cérebro, há muito designadas “drogas naturais do prazer”, quer seja o prazer sexual, quer seja o prazer da emoção amorosa.
O Beijo também está relacionado com os nossos sentidos, os “Sentidos do Beijo”…
Durante o beijo visualizamos a pessoa amada mais perto, sentimos o seu cheiro, sentimos o seu sabor e tocamos uma das partes mais sensíveis no nosso corpo: os lábios. Durante um beijo mobilizamos 29 músculos, 17 dos quais são linguais. Os batimentos cardíacos podem aumentam de 70 para 150, melhorando a oxigenação do sangue.
Mas há um pormenor de suma importância, no beijo há uma considerável troca de substâncias, 9 miligramas de água, 0,7 decigramas de albumina, 0,8 miligramas de matérias gordurosas, 0,5 miligramas de sais minerais, sem mencionar as outras 18 substâncias orgânicas, cerca de 250 bactérias, e uma grande quantidade de vírus. Não há Beijo sem senão!…

Eis aqui descritos alguns dos segredos do Beijo passíveis de ser explicados…
Todavia… Poderão existir Beijos salgados e Beijos doces dos mesmos lábios?
Há concerteza Beijos insípidos, Beijos que traem, Beijos que mentem…
Beijos que não nos fazem sentir beijados…
Beijos que não se entregam…
Beijos que cumprem o seu “horário beijador ou beija-dor”…
Mas há Beijos Indeléveis, Mágicos e Inefáveis…
Suaves… arrebatados… intensos… com barreiras... paulatinos… sensuais… a saber a chocolate...
O Beijo é como uma inspiração, uma dança de salão, quiçá uma Rumba? Um Tango? Uma Valsa? Será concerteza a dança do Beijo.

Há beijos de Alma.

A propósito, aqui fica...

UM BEIJO


E a pergunta que se impõe: Afinal, a que lhe sabe um beijo?...


Terça-feira, Agosto 07, 2007

Talvez Estranho...


Menos estranho nas veredas do encontro. Aproximou-se...
Enleva e deixa-se enlevar. Surgiu o encantamento.
Deixa na força de atrair que nasce entre os dois crepúsculos o abraço metafórico, e a envolvência de intensidade nos momentos que se encontram no olhar.
Sugere os afagos e insinua-se num beijo proibido. Aquele beijo que a ousadia lhe disse que siderava e arrebatava... Conquista o espaço da ternura com um suave caminhar.
Perde-se entre o inebriante da maresia, dela se socorre, para no dela se não perder no aroma que o perde sem o perder. E brinca com deleite um jogo de brincar sem querer magoar. Delicia.
Menos estranho nos caminhos da descoberta. Sabe que a plenitude lhe é vedada pela barreira das escolhas...

Que palavras pronunciaria agora, no silêncio dos seus mais secretos pensamentos, aquele talvez estranho...?


AMMedeiros


Segunda-feira, Agosto 06, 2007

A Espera do Prazer...




O prazer que tu esperas varia na razão inversa do tempo de o esperares.
E da inquietação também.
Porque quanto mais esperas e te inquietas, menos prazer ele é.
Espera-o no infinito para te não inquietares.
E que ele seja depois o prazer que for.
Mas o contrário também é verdadeiro.


Vergílio Ferreira, in 'Pensar'



Solilóquio de Educar/Amar




Criar é educar: alimentar, física, psíquica, cultural, social, espiritual e religiosamente, ajudar a vir à luz da consciência um novo ser humano único e irrepetível em relação. Há pais que investem na carreira e no dinheiro, esquecendo que a obra mais importante são os filhos.


Base da educação é o afecto e o amor sem condições, para que a criança cresça segura. Sem esse amor, não haverá confiança nem em si nem nos outros nem na realidade, de tal modo que o que poderá sobrar é a violência da destruição: como amar, se não se foi amado, como entregar-se confiadamente à construção de si e do mundo, se a confiança de base não foi assegurada e a realidade apareceu, desde o início, desfavorável e agressiva?

Anselmo Borges



Domingo, Agosto 05, 2007

SHERAZADE e As Mil e Uma Noites...


(...) O grão-vizir que, como já se disse, era apenas o medianeiro de uma tão horrível injustiça, tinha duas filhas, a mais velha chamada Xerazade e a mais nova Dinarzade. A esta última não faltavam dotes; mas a outra tinha um ânimo superior ao seu sexo, muitíssimo espírito e uma admirável perspicácia. Lia muito e tinha tão prodigiosa memória que nada lhe escapava de tudo quanto lesse. Tinha-se aplicado devotamente à filosofia, à medicina, à história e às belas artes; e fazia melhores versos que os dos poetas mais célebres do seu tempo. Além disso, era dotada de uma surpreendente beleza; e uma virtude muito sólida coroava todas essas excelentes qualidades. (...)

- O seguimento é ainda mais surpreendente - respondeu Xerazade - e vós ficaríeis de acordo, se o sultão quisesse deixar-me viver ainda hoje e permitisse que vos continuasse a contá-lo na próxima noite.
Xariar, que tinha ouvido Xerazade com prazer, disse para si mesmo:
«Esperarei até amanhã; fá-la-ei morrer quando ouvir o fim do seu conto.» (..)



Conta a lenda que na antiga Pérsia o Rei Shariar descobre que foi traído pela esposa, que tinha um servo por amante, o Rei despeitado e enfurecido matou os dois. Depois, toma uma terrível decisão: todas as noites, casar-se-ía com uma nova mulher e, na manhã seguinte, ordenaria a sua execução, para nunca mais ser traído. Assim procede ao longo de três anos, causando medo e lamentações em todo o Reino. Um dia, a filha mais velha do primeiro-ministro, a bela e astuta Sherazade, diz ao pai que tem um plano para acabar com a barbaridade do Rei. Todavia, para aplicá-lo, necessita casar-se com ele. Horrorizado, o pai tenta convencer a filha a desistir da ideia, mas Sherazade estava decidida a acabar de vez com a maldição que aterrorizava a cidade.
Quando a noite de núpcias acontece, sua irmã mais nova,
Duniazade, faz o que Sherazade lhe havia pedido... Dirige-se ao quarto dos recém-casados e, em prantos, pede para ouvir uma das fabulosas histórias que a irmã conhece. Sherazade inicia assim a narrativa de uma intrigante história que cativa a atenção do Rei, contudo, não tem tempo de a terminar antes do amanhecer... Curioso por saber o fim do conto, Shariar concede-lhe mais um dia de vida.

Esta seria a primeira de Mil e Uma Noites... As histórias de Sherazade, muito envolventes, são sempre interrompidas na parte mais interessante...

Assim, noite após noite, sua morte foi adiada...

(Scheherazade (do persa شهرزاد), grafado também como Xerazade ou Sherazade).


Fica então a metáfora traduzida por Sherazade: a liberdade também se conquista com o exercício da criatividade...



Na verdade, a história de Sherazade não tem autor. As histórias de "As Mil e Uma Noites" eram contadas de pessoa para pessoa e ninguém sabe quem as inventou. Fazem parte da tradição oral do povo árabe, que com os seus contadores de histórias conseguiam reunir multidões nas ruas e mercados.
A primeira versão do livro, "MIL CONTOS", surgiu na Pérsia, actual Iran, por volta do século X. O nome que conhecemos só surgiu depois, com os árabes. A sua extrema supersição levou-os a acreditar que os números redondos atraíam coisas ruins e assim mudaram o nome para "AS MIL E UMA NOITES". Não obstante, como o original do livro nunca foi encontrado, existem versões diferentes para a história de
Sherazade. O final, no entanto, é sempre o mesmo...


  • Sugestão de Leitura:
Galland, A. (2004). As Mil e Uma Noites. (Vol. 7). (Trad. Sotto Mayor, M.). Colecção "O Público": Os Grandes Génios da Literatura Universal.

AMMedeiros


Saudade...


De vez em quando, português o sentir e o sentimento na palavra, a saudade vem...
Não tem vestes de nostalgia, não se obscurece como a melancolia. A saudade é diferente.
Trás o aroma de um encontro, o sabor de um momento, a melodia de um acorde nas palavras, o tacto da seda, a luz de um sorriso, a profundidade de um silêncio, a magia de um olhar.
Pode ser do passado, pode ser do futuro, mas pode ser deste "agora".


AMMedeiros





Sábado, Agosto 04, 2007

Mar


... e agora, se acharem bem e me permitirem, vou para perto do mar...
porque me faz bem!...



Carpe Diem...

Um Poema. Uma reflexão.
O Amor. A Vida.
As escolhas.
As nossas nas dela?
Ou as dela nas nossas quando somos omissos nas nossas?...




Carpe Diem

Confias no incerto amanhã? Entregas
às sombras do acaso a resposta inadiável?
Aceitas que a diurna inquietação da alma
substitua o riso claro de um corpo
que te exige o prazer? Fogem-te, por entre os dedos,
os instantes; e nos lábios dessa que amaste
morre um fim de frase, deixando a dúvida
definitiva. Um nome inútil persegue a tua memória,
para que o roubes ao sono dos sentidos. Porém,
nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias;
e abraças a própria figura do vazio. Então,
por que esperas para sair ao encontro da vida,
do sopro quente da primavera, das margens
visíveis do humano? "Não", dizes, "nada me obrigará
à renúncia de mim próprio --- nem esse olhar
que me oferece o leito profundo da sua imagem!"
Louco, ignora que o destino, por vezes,
se confunde com a brevidade do verso.

Nuno Júdice


Sexta-feira, Agosto 03, 2007

Solilóquio de Insónia



O poeta disse que era uma Mulher.
Com todas as características de uma Mulher.
Sempre ela tão presente em todos nós... por vezes mais que o seu contrário.
A música diz que a vida é sempre a perder...
Hoje sussurrei ao vento que percorre a pele que é de ganhar.
Que toda a chuva é de se molhar completamente por ela.
Que um beijo é sempre um beijo de sentir.
Que se te tenho subtil, mas mais presente do que jamais tive no tesouro que não te deixarei que me arranques, tenho também o melhor de ti contra ti, a meu favor.
De natureza feminina, eu entendo. Se te apaixonares por ele, fá-lo com o teu melhor, não quero ter que vencer-te.
O Leme está comigo ante a tempestade.
Um naufrágio de naufrágios é sentir o Sol ao despertar.
Descalça, é sentir o chão e voar com a alma.
E lembra-te, antes das tuas determinações estão as minhas, foi de mim que nasceu.


AMMedeiros

Quinta-feira, Agosto 02, 2007

Coquetear...


Charme...

Brincam num jogo de sorrisos generosos de pseudo-promessas tácitas de dar o que se não dá...
Reinventam argumentos que disputam o poder de sedução entre o empirismo e o racionalismo...
Reflectem sobre a imaginação e os estímulos...

Aproximam o olhar numa atitude que desafia a sensualidade...
Invertem o sentido das palavras e jogam felinamente o desafio da ousadia que pretende desarmar...
Trocam mimos em acordos silenciosos de tréguas para pausas eufemísticas ... de recobro para novas tácticas de envolvência...
Intimam-se numa intimidade diferente...
Esgrimem sem rendição uma rendição ao desejo na resistência tântrica que o olhar percorre...
Destilam na escrita o que o prazer inspira na apologia da vida...
Ela diz subterfúgios conscientes de uma verdade mais profunda entre o princípio do prazer e da realidade...
Ele... ele explora nas areias movediças da perseverança a conquista de um oásis... ou será uma miragem do delírio do calor?...

AMMedeiros



Quarta-feira, Agosto 01, 2007

Reflexão...

"Ter escravos não é nada, mas o que se torna intolerável é ter escravos chamando-lhes cidadãos."

Denis Diderot

A escravatura foi abolida no Império Britânico em 1 de agosto de 1834.



(Jean-Baptiste Debret - "Escravidão no Brasil" (1768-1848)