Quinta-feira, Novembro 30, 2006
Nada Burlesco, Muito Real
Números preocupantes que interessa não descurar e procurar perceber a qualidade de vida que a nossa sociedade preconiza , nós somos o reflexo de nós mesmos... 30% da população corre o risco de ter perturbações psiquiátricas
De acordo com as últimas estimativas, em todo o Mundo, uma em cada quatro pessoas já sofreu ou sofrerá de depressão, que pode atingir cerca de 20% da população, tendendo a aumentar. "Esta patologia já é a primeira causa de incapacidade nos países desenvolvidos e segundo a Organização Mundial de Saúde é a quarta doença de saúde pública", lembrou o psiquiatra Pacheco Palha.
Este especialista sublinhou que a depressão "envolve a quebra de capacidades, entre elas a sexualidade, um tema muitas vezes relegado para segundo plano por médicos e psiquiatras".
Enquadrado no tema "Psiquiatria e Saúde Sexual", Pacheco Palha alertou para o facto de se desvalorizar esta questão, por exemplo "quais os direitos sexuais dos doentes crónicos, o seu comportamento geral afectivo", acrescentando que são questões sem respostas únicas e definitivas.
A depressão e a esquizofrenia (também em discussão no Congresso), são responsáveis por 60% dos suicídios. As esquizofrenia são das consultas e das urgências, as patologias mais frequentes, sendo a principal causa de internamento e a terceira nas consultas.
O psiquiatra Marques Teixeira sublinhou a multi-heterogeneidade da doença, o que dificulta o seu diagnóstico e tratamento, referindo que estes "estão longe de serem os mais adequados", daí, que seja uma prioridade "investigar novos tratamentos".
Nesse sentido, revelou que está em curso um "grande projecto com vista ao desenho de ensaios clínicos para avaliação dos efeitos de novas substâncias sobre os domínio cognitivos afectados", acrescentando que "estes avanços tiveram já um impacto muito importante, a esquizofrenia deixou de ser estudada por uma única disciplina e passou a ser abordada de modo interdisciplinar e integrativo".
O mesmo especialista abordou ainda o tema da "Psiquiatria Forense - uma responsabilidade individual, institucional e política". Colocou diferentes questões sobre quem recairia a responsabilidade, salientando que as dificuldades do sistema de cuidados psiquiátricos, o insuficiente apoio comunitário os recursos escassos, que podem significar que as pessoas que pedem hospitalização esta lhes seja negada, "podem ser uma mistura fatal".
Perturbação alimentar
As perturbações do comportamento alimentar, como a anorexia nervosa e a bulimia, têm aumentado por todo o mundo. A anorexia é a doença psiquiátrica com maior taxa de mortalidade, uma morte em cada dez casos. Tema também em debate no Congresso de Psiquiatria. São doenças graves com origem a interacção de factores psicológicos, biológicos, familiares e socioculturais. A anorexia e a bulimia nervosa afectam sobretudo mulheres jovens. A prevalência da anorexia ronda 1% da população em geral, 4% para mulheres entre os 18 e os 30 anos e cerca de 10% das mulheres podem sofrer desta patologia em algum momento da vida. Para fazer o diagnóstico é necessária a conjugação, no mesmo momento, de um determinado número de critérios, por exemplo, para a anorexia o índice de massa corporal estará abaixo dos 17,5, verifica-se uma alteração significativa da percepção do tamanho e forma corporais e ausência de, pelo menos, três ciclos menstruais seguidos."
Virgínia Alves
Link: Jornal de Notícias
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A hora da Imaginação...
Façamos a imaginação voar pela noite dentro...
Hoje coloque, excepcionalmente, de lado o seu habitual Whisky, o seu Armagnac, ou o seu Porto... Desta vez, pegue num Sheridan's on the rocks, três rocks para ser mais precisa, reduza a iluminação e faça a melodia de um nocturno de Chopin, talvez numa interpretação de Maria João Pires, soar pelo espaço onde se encontra, sem maiores estímulos, recoste-se na sua poltrona ou no sofá e feche os olhos... deixe-se ir... abstraia-se e dê as mãos à imaginação!
Imagine uma paisagem ou o seu lugar favorito... e imagine tudo... imagine as cores, as sensações, os cheiros, os sabores e tudo o que toca com as suas mãos... Imagine!
Porque o poder criativo, a criatividade e a imaginação não é património nem um dom especial exclusivo dos mais geniais, dos mais próximos da arte, nem dos que considera pessoas de sucesso. Não, não é... a criatividade e a imaginação fazem parte dos nossos processos psíquicos, podem ser desenvolvidos e além de tudo, inunda-nos de sensações e ideias que nos fazem sentir uma certa euforia de vida, tão saudável quanto estruturante e inclusivamente útil!
Sim útil. Em toda e qualquer área das nossas vidas...
Entretanto, aproveito para lhe citar as palvras de Schopenhauer quando refere que a imaginação precisa de se alimentar de um certo excesso e variedade de estímulos que guarda no baú mágico, depois para que se liberte precisa apenas do mínimo possível ou da sua ausência, ela sabe abrir o baú e criar, recriar algo que, paradoxalmente, não se encontra lá!...
Recoste- se novamente, e não queira pensar em nada, eis que ela surge subtil ou irrompe avassaladoramente pela noite até ao sono/sonho...
"Possuir muita imaginação significa que a função de percepção do cérebro é suficientemente forte para, invariavelmente, não necessitar de um estímulo dos sentidos para entrar em actividade. Consequentemente, a imaginação é tanto mais activa quanto menos percepções do exterior nos forem transmitidas pelos sentidos. Uma prolongada solidão, a prisão ou um leito de doença, o silêncio, o crepúsculo, a escuridão, são-lhe propícios: sob a sua influência, entra em actividade sem ser invocada. Por outro lado, quando é fornecida à nossa pecepção uma grande quantidade de matéria real do exterior, como sucede nas viagens, no bulício da vida, ao meio-dia, a imaginação faz férias e recusa-se a entrar em actividade, mesmo quando invocada: parece que não é a sua estação.
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Quarta-feira, Novembro 29, 2006
De Portugal para Bolonha até ao MIT, O Abismo
José Medeiros Ferreira aborda a questão de uma nova perspectiva, aquela sob a qual ainda talvez poucos tenham ponderado, de cima para baixo.O problema da burocracia não condiz com a filosofia de Bolonha, mas na práxis revela-se e esta afunda-se na outra. Concordo em absoluto com a problemática em volta da tutoria e da desproporção no número de alunos e pior ainda, temo ser obrigada a concordar que realmente Bolonha venha a ser mais um pretexto para despedimentos...
Apanhar o comboio instalados num vagão... ou reinventar formas de transpôr o abismo.
Acreditemos, uma vez mais na capacidade criativa do improviso ou acordemos definitivamente para agir e transpôr com rigor e pragmatismo as verdadeiras prioridades.
A metáfora do doente no pós-operatório é crucial, vale a pena pensar sobre isto e tentar entender a pergunta e as possíveis respostas...
"(...) A minha primeira impressão neste regresso é a de estar a assistir a um momento de perplexidade nas universidades portuguesas. E inevitavelmente comparo com a firmeza com que a Universidade de Genebra se adaptou às consequências do Maio de 1968, que sacudiu o ensino superior europeu de baixo para cima, enquanto Bolonha pretende orientá-lo de cima para baixo...
Aliás, até se poderia periodizar a história das universidades europeias entre Maio de 1968 e o actual Processo de Bolonha. O que pode haver de útil em Bolonha terá de ser encontrado do lado da qualidade, da comparação dos estudos feitos, da mobilidade permitida e facilitada de estudantes... e de professores.
Ora, a burocracia está a tomar conta do processo. A uniformização, atentatória da mais elementar autonomia universitária, apossou-se da teoria dos três ciclos integrados, sendo que o primeiro se assemelha de mais a um propedêutico prolongado, e o segundo, que corresponde ao mestrado, pouco espaço e tempo disponibiliza para a investigação e a dissertação.
A tutoria dos docentes tornou-se a grande aquisição deste modelo e apenas com um senão: os cursos em vez de diminuírem o número de alunos a serem "tutelados" aumentam- -no em desproporção. A tutoria de Bolonha requer mais docentes universitários, não menos. Temo que, em Portugal, Bolonha possa ser antes o pretexto para despedir.
A passagem das licenciaturas de quatro para três anos, nos cursos de ciências sociais, está a empurrar algumas cadeiras para fora dos curricula. Por exemplo, em História, essa compressão está de novo a reduzir o ensino e a investigação em História Contemporânea, uma das áreas mais procuradas nos últimos 20 anos pelos estudantes. Percebe-se, antes era inexistente... Toda a esperança de uma universidade portuguesa activa na investigação e num ensino renovado passa praticamente para o último ciclo, o terceiro, aquele que dará origem ao grau de doutor, caso os docentes não desfaleçam entretanto na via-sacra de tanta estação.
Este é pelo menos o resultado mais à vista desta primeira subordinação apressada das universidades portuguesas ao comando indicativo das recomendações europeias inseridas no Processo de Bolonha e para cuja execução positiva e indutora de qualidade seriam precisos mais recursos e não cortes simultâneos no orçamento. Querer adaptar o ensino superior às recomendações de Bolonha num momento de cortes financeiros é um desafio lançado às universidade portuguesas que assim vão passar provavelmente por um mau momento.
(...) As universidades portuguesas estão assim sob fogo cruzado. A indução do Processo de Bolonha, numa versão uniforme e burocrata, e a ciência aplicada que há-de escorrer dos acordos com o MIT para as nossas oficinas superiores colocam o nosso ensino numa forte dependência exterior estratégico-científica.
Acresce que com o corte das verbas orçamentais encontram-se as universidades abatidas na sua autonomia e uniformidade.
O que se espera então da avaliação ao estado de saúde do doente à saída do bloco operatório, onde lhe enxertaram uns órgãos de Bolonha e outros do MIT?"
Link: Diário de Notícias
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Terça-feira, Novembro 28, 2006
Hasta Siempre Comandante!
Che Guevara - "Hasta Siempre Comandante" por Natalie Cardone
Hasta Siempre:
Aprendimos a quererte
desde la histórica altura
donde el sol de tu bravura
le puso un cerco a la muerte.
Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.
Tu mano gloriosa y fuerte
sobre la historia dispara
cuando todo Santa Clara
se despierta para verte.
Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.
Vienes quemando la brisa
con soles de primavera
para plantar la bandera
con la luz de tu sonrisa.
Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.
Tu amor revolucionario
te conduce a nueva empresa
donde esperan la firmeza
de tu brazo libertario.
Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.
Seguiremos adelante
como junto a ti seguimos
y con Fidel te decimos:
hasta siempre Comandante.
Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.
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Segunda-feira, Novembro 27, 2006
Dos "Nomes" que se dão...
"Num mundo bom, um nome é uma identidade e uma senha de participação. Num mundo mau, um nome é um rótulo e pode ser uma prateleira de exclusão. E há também este fenómeno: o mesmo nome tem temperaturas diferentes consoante a perspectiva ou a época."
Faíza Hayat, in Xis Público, 25 Nov 2006
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Domingo, Novembro 26, 2006
Just... Read Me!
Nesta tarde de domingo tão preguiçosa como qualquer outra... subtilmente atrevo-me a propor um recanto cuja ambiência se assemelhe na luz, nos objectos, nos cheiros, nas estantes, no sofás e nos livros, àquela que considero a livraria mais charmosa do Porto: A Livraria Lello. Num espaço como este, cálido nas cores e envolto de tantos significados, que poderão ser também os seus... abra um livro e descubra!...
Deixe-se ir até ao momento em que lhe diga que faça uma pausa, marque a página para retomar a leitura mais tarde... às cinco horas da tarde, nem mais nem menos, saboreie um tradicional Earl Grey bem quentinho devidamente acompanhado por uns muffins de chocolate e uns maravilhosos scones de manteiga ou compota dos sabores mais inimagináveis. Aproveite o momento e partilhe as sensações que a leitura lhe trouxe, partilhe os sabores e os saberes... e depois retome a página que o aguarda para se ler nos seus olhos...
Algumas sugestões:
Goethe, J. W. (1956). Fausto. (Vol 15). Alemanha: Jackson Editores.
Benmayor, D. E. (1998). Sentido del sinsentido. (2ª Ed.)
Ortega y Gasset (1993). Ideas y creencias. Madrid: Alianza Editorial
Uma esplêndida tarde de domingo!
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Sábado, Novembro 25, 2006
To Think Tonight...
To love is to suffer. To avoid suffering one must not love, but then one suffers from not loving. Therefore, to love is to suffer, not to love is to suffer, to suffer is to suffer. To be happy is to love, to be happy then is to suffer but suffering makes one unhappy, therefore to be unhappy one must love or love to suffer or suffer from too much happiness. I hope you're getting this down...
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Sexta-feira, Novembro 24, 2006
O PERFUME
Porque está um dia em que apetece recostar-se em frente a uma tela, com uma bebida bem fresquinha e pipocas bem quentinhas, ou qualquer outro sabor agradável ao paladar e assistir a um bom filme, talvez me atreva a sugerir "O Perfume" - A História de um Assassino.
Se o filme fizer justiça à obra de Patrick Süsking, como já me foi assegurado por quem teve a oportunidade de o ver, então vale a pena, já que o livro é um bestseller aclamado internacionalmente, uma obra que causou sensação. O autor descreve uma exímia e aterradora análise sobre o que acontece quando um homem se deixa conduzir pela sua paixão pelo cheiro, instrumentalizada num excepcional sentido do olfacto, transformando-se num assassino na obsessão em possuir o perfume... Um dom inatamente sobredesenvolvido que poderia ter originado um dos maiores perfumistas de sempre, mas que originou um dos assassinos mais célebres de sempre descrito numa obra literária. Capturar um cheiro, um odor, um perfume... mais do que tudo uma essência!!
Costumo dizer que a essência de um perfume é dos melhores presentes que se pode oferecer, vem em pequenas quantidades e não precisa de excessos, já que uma simples gota do que se encontra dentro do delicado frasco é suficiente para nos inundar os sentidos...
O problema do personagem de "O Perfume" foi a terrível insaciedade que o movia culminando com o desejo de criar o "último dos perfumes", o melhor, o mais autêntico... a essência de uma jovem virgem. A obra escrita é de uma narrativa absorvente, brilhante e tão sensual quão aterradora sobre um assassino. Os insondáveis mistérios de uma mente com um sentido extraordinário e compelido pela sua obsessão...
Aqui fica a sugestão, e já agora, para os que já o viram na tela, partilhem a vossa crítica e opinião.
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Eles não sabem que o Sonho comanda a Vida.
Rómulo Vasco da Gama de Carvalho nasceu em 24 de Novembro de 1906, na Rua do Arco do Limoeiro, em Lisboa.
Foi professor, pedagogo e autor de manuais escolares, historiador da ciência e da educação, divulgador científico e poeta sob o pseudónimo de António Gedeão.
A Pedra Filosofal tornou-se célebre de tal forma que foi musicado e cantado por Manuel Freire. Integrado numa série de eventos, por todo o país, que visam homenagear o Centenário do nascimento do poeta ontem Manuel Freire cantou-o para os jovens alunos da Escola Secundária Filipa de Vilhena do Porto.
Pedra Filosofal
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
Para que nunca nos esqueçamos de sonhar!...
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Quinta-feira, Novembro 23, 2006
Um pensamento como uma gota de chuva...
"As pessoas mais belas que conheci foram aquelas que conheceram as derrotas, a dor, as lutas, as perdas e, que encontraram o seu caminho de saída desde as profundidades.Beautiful people do not just happen."
Elisabeth Kübler-Ross
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Quarta-feira, Novembro 22, 2006
O Espelho
Kierkegaard, Sören Aabye, in O Desespero Humano - Doença até a Morte, 1849
Todos os dias, num gesto característicamente quotidiano, nos vêmos ao espelho e, talvez nunca paremos para pensar neste acto que fazemos de forma quase mecanizada. Ver-se ao espelho é um gesto especial no que se refere à existência individual.Kierkegaard perspectiva-o numa dimensão de conhecimento prévio de si como condição. Para que nos possamos ver ao espelho é condição sinne qua non que consigamos ver, sentir e perceber quem somos naquele momento, ou seja, que tenhamos consciência de nós, consciência de si. A ausência da possibilidade da consciência de si, configura uma cisão individual na qual parecemos meros autómatos de nós próprios, profundamente distantes de uma vida saudavelmente integrada.
Todavia, cada vez mais privilegiamos o acto de "possuir coisas" em detrimento de se "ter" a si mesmo, ou seja, de "ser a nossa grande conquista". É este paradoxo da existência que leva o homem a questionar-se:
Quem é este que vejo refletido no espelho?... Este sou eu?...
Partilho um pequeno poema de E. E. Cummings alusivo ao tumulto das questões que se instalam quando o sentido da existência se deixa tropeçar numa nova perspectiva:
"Um total estranho, num dia negro
Bateu, tirando de dentro de mim o inferno
E ele achou difícil o perdão porque
(assim se revelou) ele era eu mesmo -
Mas agora aquele demónio e eu
Somos amigos imortais".
"Quem é a pessoa que vê ao olhar-se ao espelho?"
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Terça-feira, Novembro 21, 2006
Da Solidão Acompanhada
O génio, foi dito e convém repeti-lo frequentemente, é uma multidão. É a multidão individualizada, e é um povo feito pessoa. Aquele que tem mais de próprio é, no fundo, aquele que tem mais de todos, é aquele em quem melhor se une e concentra o que é dos outros. (...) O que de melhor ocorre aos homens é o que lhes ocorre quando estão sozinhos, aquilo que não se atrevem a confessar, não já ao próximo mas nem sequer, muitas vezes, a si mesmos, aquilo de que fogem, aquilo que encerram em si quando estão em puro pensamento e antes de que possa florescer em palavras. E o solitário costuma atrever-se a expressá-lo, a deixar que isso floresça, e assim acaba por dizer o que todos pensam quando estão sozinhos, sem que ninguém se atreva a publicá-lo. O solitário pensa tudo em voz alta, e surpreende os outros dizendo-lhes o que eles pensam em voz baixa, enquanto querem enganar-se uns aos outros, pretendendo acreditar que pensam outra coisa, e sem conseguir que alguém acredite."
Miguel de Unamuno, in 'Solidão'
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Segunda-feira, Novembro 20, 2006
"A Mentira da Morte e a Morte da Mentira"
Melhor ainda, é falar, pensar e reflectir sobre a Morte e a Mentira.
Talvez pensar nas vezes que mentimos à Morte, ou nos mentimos a nós, ou ainda de todas as vezes que não queremos pensar na Morte para mentir à Vida...
Foi o que aconteceu no Colóquio que decorreu sexta e sábado do passado fim-de-semana cujo tema foi "O Homem e a(s) Mentira(s)", organizado pela Sociedade Portuguesa de Psicanálise.
O Prof. Anselmo Borges conduziu o pensamento filosófica e pragmáticamente, iniciando por onde tudo se deve iniciar, a dúvida, a questão: Ninguém sabe o que é estar morto. O que é estar morto para o próprio morto?
Dizer, perante o cadáver do pai, da mãe, do amigo, da amiga, do filho, da filha, do irmão, da irmã: o meu pai está aqui morto, a minha mãe está aqui morta, o meu amigo, a minha amiga, o meu filho, a minha filha, o meu irmão, a minha irmã está aqui morto, está aqui morta, não tem sentido, pois o que falta é precisamente o sujeito. Eles não estão ali. Se estivessem, não estavam mortos. Onde estão então? Há aquela pergunta in-finita que Tolstoi coloca na boca de Ivan Ilitch moribundo: onde é que eu estarei, quando cá já não estiver?
Dizer que os levamos à sua última morada é outro contra-senso da linguagem. Quem é que se atreveria a enterrar ou a cremar o pai, a mãe, o filho, a filha, o amigo, a amiga, o irmão, a irmã?
E também não faz sentido afirmar que vamos ao cemitério vê-los. Nos cemitérios, com excepção dos vivos que lá vão, não há ninguém.
Mas então o que há nos cemitérios, para que a sua profanação seja, em todas as culturas, um crime hediondo? Há a memória. Mas o que sobretudo há é o que nos faz homens: um in-finito ponto de interrogação, que vem ao nosso encontro como pergunta in-finita: o que é ser Homem?; porque é que há algo e não nada? A morte coloca-nos perante o abismo do nada. E o que é que se diz sobre o nada?
A morte não mente.
Se o faz, é apenas no sentido dito no étimo, como sugere Paulo Borges. Mentiri está em relação com o substantivo mens, mentis, que designa a mente e as suas actividades, como o "pensamento", o "projecto", o "plano", o "juízo", a "razão", derivando, por sua vez, de memini, redobro da raiz men- (pensar), com o sentido de "ter presente", "recordar-se". Ao pôr-nos frente ao nada, a "mentira" da morte não é senão a condição daquela verdade que excede toda a medida discursiva, projectiva, planificante, judicativa, racional. Razão vem do latim ratio, rationis, com o sentido de "conta", "cálculo", "cômputo". Ora, o que pode a razão calculadora dizer frente ao infinito do mistério do ser e do nada e da morte, o impensável que obriga a pensar sem fim?
Frente à morte, o Homem é confrontado com o nada, aquele nada que lhe põe a interrogação absoluta, e, assim, pergunta inconstruível, o lugar da verdade para ele. É perante o abismo sem fundo e sem fim do nada que se lhe revela o puro assombro e a estupefacção absoluta do mistério incrível e indizível do Ser e de ser.
A morte não mente.
Ela desmente a hipocrisia diletante, pondo a nu a verdade. Quem mente é o Homem, sobretudo nas nossas sociedades urbanas e técnicas, que fazem da morte tabu, o último e único tabu. O Homem ocidental não só não quer enfrentar a verdade como mente, agora no sentido de não dizer a verdade, faltar à verdade, enganar e enganar-se.
M. Heidegger pôs a meditação da morte no centro da sua reflexão filosófica. Porque é a consciência da mortalidade que faz distinguir entre a existência autêntica e a existência inautêntica, entre o que vale e o que não vale, e ser na liberdade.
Não se trata, portanto, de envenenar a vida nem de vivê-la morbidamente, mas de ir ao essencial e viver intensamente o que há para viver aqui e agora, pois é tudo sempre pela primeira e última vez. Procura-se a verdade de ser si mesmo. Quem quiser saber quem é coloque-se frente à pergunta: o que faria, se soubesse que amanhã vou morrer?
A nossa sociedade da banalidade rasante, do consumismo enlouquecido, da espectacularização ridícula, da correria alienada e alienante, só pode ser o que é enquanto assente no tabu da morte. Se a morte voltasse ao pensamento sereno dos homens, ela imporia uma conversão.
Aí, perante a contradição viva do "eu-morro", do "alguém-ninguém" - a consciência da mortalidade é a experiência insuportável dessa contradição -, é-se arrancado à alienação, e pode acontecer ser-se convocado pela intuição de que aquele nada com que a morte nos confronta não é o nada vazio e morto, mas o nada enquanto véu da realidade verdadeira na sua ultimidade. Afinal, nem o sol nem a morte podem ser encarados de frente, e a causa é o excesso de luz. Os místicos sabem-no, quando falam de "raio de treva" e "tenebrosa nuvem, que a noite iluminava".»
Link: Diário de Notícias
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Domingo, Novembro 19, 2006
Quinta-feira, Novembro 16, 2006
Burlescamente Essencial
Um dia, cumprindo com este modo de comunicar (no blog) resolvi partilhar a questão e obtive respostas tão criativas quão admiráveis, o que não deixa de ser confirmatório de que realmente nas respostas às perguntas que nos colocámos obtemos novas formas de comunicação...
Se, as perguntas são fulcrais, devo admitir que, neste caso, as respostas gentilmente dadas pelos comentadores do Burlesco trouxeram novos olhares sobre a perspectiva do que é ou poderá ser um BLOG.
A proposta, depois da vossa inestimada participação, prosseguia para uma votação livre a fim de eleger a definição que mais agradasse a todos, à maioria ou até à minoria que decidir continuar a participar na "brincadeira da pergunta". Uma vez que, o prometido é devido, aqui publico as definições de Blog que foram propostas, não deixando de sublinhar que todas têm a sua pitada de criatividade, originalidade e burlesco!
Aos que se decidirem a votar, talvez sugira que não votem na sua própria definição, quanto ao número de votos é livre e vota quem quiser, quem tiver vontade e sentido de humor!!!

- Euexisto: Um blog é isto. é gritar porque não temos ninguém que queira ouvir-nos com o mesmo entusiasmo com que nos expressamos.
- Moonlover:Tenho visto varios tipos de blogues!o meu dedico aos meus estados de espirito em que por nao ter jeito para escrever procuro poemas que descrevam o que sinto no dia ou quando estou bem escolho um que me toque na alma, sempre tento encontrar uma foto que espelhe o texto.Os que gosto de visitar tem a ver com a escrita do blogger, alguns teem um poder de escrita impressionante como eh o caso do infotocopiavel ;) Do sonhos¶doxos, gosto da sensibilidade na escolha dos posts.
- Normalmente calmo: BLOG - Beijos e Lágrimas Organizados Gratuitamente.
- É para aprenderes a não teimar: Isto agora é assim!? Já pedem definições burlescas acerca do conceito "blog"? E sei eu afirmar (isto para a Sra. AMMedeiros aprender a não teimar) que o conceito "blog" não tem definição!? Estarei eu a ser demasiado "Burlesco"!?
- Lordi: Já vi muitos blogs e também já tive um em meu poder, no entanto, burlescamente arrisco-me a dar uma pequena definição de blog. "Blog" é expressar-mos as nossas ideias e pensamentos de uma forma coerente e sensata, de modo a que as pessoas "burlescamente" compreendam ou não. As ideias podem ser expressas de várias maneiras, de forma erudita, filosófica, "burlesca" e humuristica. "Blog" não tem realmente definição, como o comentador "é para aprenderes a não teimar" diz, pois a única maneira de um "blog" ganhar definição é através dos nossos pensamentos expressos na nossa escrita.
- Keimadela: Blog é: Um espaço onde se junta quem tem algo a dizer com quem tem algo a escutar. É uma sala de teatro que usamos para dizer o que não temos coragem para dizer na realidade, perante uma plateia isenta e sempre disponivel. É, em ultima instância, o nosso "dark side of the moon", onde podemos ser mais alguém... Terei sido pouco burlesco?
- Andorinha: Um blog é como nosso BI, pessoal e intransmissível.Mas enquanto que o formato do BI é igual para todos, já os blogues divergem.Há aqueles em que as pessoas se desnudam, outros em que se mascaram e outros ainda em que a fantasia anda à solta.E posto isto...sei lá o que é um blog:)
- O Alquimista: Às vezes uma masturbação mental, outras um processo encantador de troca de humanidades...poderiamos pensar ainda numa feira de vaidades, sala de espelhos ou uma burlesca forma ter importância...
- Anónimo(a): Em 80% dos blogues, eu alinho mais na masturbação mental... na enormíssima solidão (e não só...) que denotam... e na vontade "de se fazerem" ou "mostrarem-se" como intelectualóides de meia-tigela, que nem escrever sabem... (mas isso, vá lá, até são os próprios a admitir, não é?... ;)
- Subjectiva: O que é um Blog?
é tudo o que foi dito e muito mais!
Outra forma de comunicar parecida com a dos livros: escreve-se, compilam-se poemas, fazem-se citações, colocam-se gravuras e até se fazem perguntas como aquela: O que é um blog?
A diferença é que os livros em Portugal estão caros, há quem pouco leia e há livros e livros, também há blogs e blogs, diferentes na igualdade, este é o lado burlesco dos blogs.
- O Aldeia Global: Blog: amante da imaginação, casado com a web, pai do burlesco e da escrita, filho da família virtual, tio da sátira e da crítica, padrinho de algumas metáforas, primo direito da criatividade, sobrinho da informação, cunhado da divulgação e amigo da blogosfera.
Sofre de invejas, calúnias e difamações, é um pouco voyeur e excêntrico! Dizem as más línguas que quem dele gosta sofre de solidão, mas ele está-se a burlar pra isso!
- Anónimo(a): Blog
Boémio, Louco, Ortofotográfico e Geral.
- Viajante: Um blog... é uma impressão digital acompanhada ou não de pinceladas escolhidas para acompanhar. Traja de escolhas e de aparências mas vai além delas.
É um percurso de viagem, que espelha e traduz reflexos, com um fio condutor que pode ser, muitas vezes, apenas e tão só o autor.
Bem vejo em redor outros olhos
Logrando ver e ver-se ao olhar
Olho-os e olham-me, reciprocamente,
Gostos expressos de mostrar e aparecer.
- Endless: Um blog???
Para mim é aquilo que eu queira ...
...que seja!
Tão somente!
- Imacedo: A burlesca tese de qualquer anti-blog:
Quem inventou o blog é porque não tinha nada para fazer.
- Alfinete de Peito: Um BLOG não é!
O desafio não é fácil, portanto vamos por exclusão de partes:
- um blog não é um vegetal, não se assemelha a uma alface, embora haja quem mostre o repolho;
- um blog não é um BI, mas por vezes dá a conhecer algo mais sobre o seu criador;
- um blog não é zarolho, mas há alguns com alma de poeta;
- um blog não dá o corpo, embora hajam autores que se ofereçam nele...me comenta vai!;
- um blog não é uma chalaça, mas há alguns que até têm a sua graça;
- um blog não é um berimbau, mas há alguns que nos dão música;
- um blog não é uma droga, mas há quem o snife até à última letra.
Um blog pode até ser uma vírgula, pois há sempre algo a acrescentar.
E os posts são como o Natal, é quando o blogger quiser!
Temos dito.
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Terça-feira, Novembro 07, 2006
Essencialmente Burlesco
Virtualmente enredada em devaneios sobre a comunicação...
Eis, senão quando... a pergunta irrompe:
Depois, quiçá um democrático, porém não sigiloso escrutínio realizado pelos próprios e audazes participantes (algo muito in e fashion) a fim de eleger a definição que agrada a todos, ou pelo menos à maioria, ou à minoria, que por aqui também tem expressão, e torná-la pública neste blog, que por agora este e os outros ainda residem na incógnita da sua definição.
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Segunda-feira, Novembro 06, 2006
Domingo, Novembro 05, 2006
A Sabedoria de dois Pensamentos...
"Só sei que nada sei."
"Conhece-te a ti mesmo."
Sócrates, filósofo da Antiga Grécia (470 a. C. - 399 a. C.)
Morte de Sócrates, Jacques-Louis David, 1787
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Camilo e Ana Augusta
"(...) O burguês assim constituído, joga o Voltarete, o Bóston e o Wiste. Nunca teve pacto com livros, ou romances, nem sabe francês, nem mesmo sabe escrever o seu nome com ortografia - o génio da estupidez."
"Camilo e Ana Augusta" de Artur Costa, numa co- produção do "Pé de Vento" e da "Efémero" Companhia de Teatro de Aveiro, com encenação de João Luíz e cenografia de João Calvário, apresentaram o seu último espectáculo ontem no Teatro da Vilarinha no Porto e seguem para Aveiro onde vão estar de 16 de Novembro a 4 de Dezembro.Transcendendo o peso do escândalo de adultério que é nuclear na peça, bem como a sempre presente mordaz crítica aos valores sociais da época, ressalta a forma exímia como a segunda parte da narrativa que concerne à "Prisão" nos dá conta com uma pitada de humor, da dificuldade dos Juízes em aceitar o processo e dar início às demandas que lhe assistiam. Analogamente, numa contemporaneidade que assusta, como se o processo queimasse nas mãos dos Juízes este era literalmente atirado para as mãos de outro e assim sucessivamente, tornando aquela que para ser designada por Justiça, tem de ser célere e não lenta ou já o não será... (Uma ideia expressa na narrativa)
Por outro lado, na terceira parte, respeitante ao "Julgamento" denota-se o exímio uso da linguagem forense, contudo, clara e explícita, mas também a excelente interpretação dos actores enquanto advogados de defesa e acusação e das testemunhas presentes em tribunal, sem dúvida, um dos pontos altos da peça. A questão reflexiva que fica em aberto: QUEM foi verdadeiramente julgado neste processo, Ana ou Camilo?... E já agora, O QUE é que se julgou neste processo?... .
Notoriamente, acima de tudo, a mulher que encarna Ana Augusta Plácido, jovem desposada por Manuel Pinheiro Alves, num casamento condizente com o esperado e dentro das convenções, porém numa existência da qual se questiona... apaixona-se por Camilo e arrojadamente, desafiando todos os preconceitos da época assume ser este o único homem capaz de a fazer feliz, consequentemente sofre as sevícias de quem se sente desconfortável e condena tal audácia!
Ana Augusta, talvez mais do que Camilo, seja aquela que se destaca, já que é ela, a mulher, sempre nestas questões o alvo mais visado pelos viperinos comentários e juízos de valor sociais, enfim, pelos preconceitos.
Determinada e independente, ousa tomar nas suas mãos o seu próprio destino e as suas escolhas e, com isso suportar as vicissitudes de que veio a sofrer para permanecer inabalavelmente ao lado de Camilo, proferindo profundos e contundentes golpes na estrutura social burguesa da época.
Pouco reconhecida enquanto escritora, todavia dedicou-se profundamente à literatura e à poesia, colaborou em diversas publicações, e realizou traduções, tendo inclusivamente assinado algumas obras sob dois pseudónimos: Gastão Vidal Negreiros, em 1868, e Lopo de Sousa, a partir de 1871.
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Sábado, Novembro 04, 2006
Calma
A Sabedoria da Calma
Um momento para pensar com calma...
"Aquele que mantém a calma diante de todas as adversidades da vida mostra simplesmente ter conhecimento de quão imensos e múltiplos são os seus possíveis males, motivo pelo qual ele considera o mal presente uma parte muito pequena daquilo que lhe poderia advir: e, inversamente, quem sabe desse facto e reflecte sobre ele nunca perderá a calma."
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Sexta-feira, Novembro 03, 2006
Hakuna Matata!!!
Mas não só! Esta história, assim como na vida, conta com a presença de personagens optimistas que encaram a vida com a leveza e o humor de que, por vezes, nos esquecemos de manter em momentos em que faz todo o sentido. Dois fiéis amigos, o javali de seu nome Pumba e o suricata de seu nome Timão com as suas atribulações, mas com uma alegria de viver e um humor contagiante, que nos ensinam uma frase tão simples quão poderosa!
Pois bem, porque hoje é um daqueles dias em que preciso de a dizer e de a ouvir:
"Hakuna Matata!!!"

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Quinta-feira, Novembro 02, 2006
O Jogo
- Jonathan Wolstnholme -"EndGames"
Eu, sabendo que te amo,
E como as coisas do amor são difíceis,
Preparo em silêncio a mesa
Do jogo, estendo as peças
Sobre o tabuleiro, disponho os lugares
Necessários para que tudo
Comece: as cadeiras
Uma em frente da outra, embora saiba
Que as mãos não se podem tocar,
E que para além das dificuldades,
Hesitações, recuos
Ou avanços possíveis, só os olhos
Transportam, talvez, uma hipótese
De entendimento. É então que chegas,
E como se um vento do norte
Entrasse por uma janela aberta,
O jogo inteiro voa pelos ares,
O frio enche-te os olhos de lágrimas,
E empurras-me para dentro, onde
O fogo consome o que resta
Do nosso quebra-cabeças.
Nuno Júdice
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Quarta-feira, Novembro 01, 2006
Um Livro...
de Miguel Unamuno, Quarteto Editora
Uma leitura filosófica, mas imbuída de um carisma pessoal e apaixonado, onde se escalpeliza o sentido da existência humana, da angústia sentida perante a própria vida ou a morte, aliviada ou não pela adopção e devoção a uma crença religiosa.
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